segunda-feira, 19 de maio de 2025

Vamos, Portugal!

 

PORTUGAL, CARALHO! Como país pequenino e pouco relevante que somos, esta frase tornou-se popular em publicações online que nos referem de alguma forma. E não há frase mais adequada ao dia de ontem do que esta.

Um país de ignorantes que dão prioridade a sensações em detrimento de ciência, onde pensamos primeiro no ódio que temos por alguém e depois logo se vê o que podemos melhorar para nós próprios. Um país onde sabemos melhor os clubes onde jogou o avançado do Benfica do que o programa do partido em que votamos. Um país que dá mais importância a quem ganhou o campeonato de futebol do que a quem ganhou as eleições.

 

Tivemos, durante um ano, 50 labregos na assembleia da república que, como 3ª maior força política de Portugal, mostraram que são menos úteis que uma pastilha elástica colada num banco de jardim. Durante um ano fizeram barulho sem nunca apresentarem soluções e foram constantemente notícia por estarem no centro de crimes, dos mais hediondos aos mais insólitos. Mas o português não quer os seus problemas resolvidos, quer alguém que dê voz às suas birras. Porque é que eu hei de querer o rabo limpo se é tão mais giro chorar porque o tenho sujo? E, melhor ainda, se puder pôr as culpas no gato da vizinha, que me assustou e me fez borrar todo.

 

“Imigrantes que trabalham não têm com que se preocupar” é uma frase muito bonita, mas que ignora um detalhe: o popular comum que vê validados os seus ódios e que vai gritar “volta para a tua terra” a qualquer um que tenha sotaque não português. Isto se não decidir partir para a violência, já que agora se normaliza o ódio a qualquer um. Quem fala de imigrantes fala de qualquer outra comunidade alvo de discriminação. Exceto os pedófilos. Esses é melhor não falar deles, não vá algum deputado do Chega sentir-se visado.

 

Eu agora só quero ver se conseguimos ser tão cegos como os americanos. Se vamos continuar a defender o indefensável e a pôr as culpas nos outros. Se vamos continuar a pedir para beber água da sanita porque não gostamos de admitir que nos enganámos.