PORTUGAL, CARALHO! Como país
pequenino e pouco relevante que somos, esta frase tornou-se popular em
publicações online que nos referem de alguma forma. E não há frase mais
adequada ao dia de ontem do que esta.
Um país de ignorantes que dão prioridade
a sensações em detrimento de ciência, onde pensamos primeiro no ódio que temos
por alguém e depois logo se vê o que podemos melhorar para nós próprios. Um
país onde sabemos melhor os clubes onde jogou o avançado do Benfica do que o
programa do partido em que votamos. Um país que dá mais importância a quem
ganhou o campeonato de futebol do que a quem ganhou as eleições.
Tivemos, durante um ano, 50
labregos na assembleia da república que, como 3ª maior força política de
Portugal, mostraram que são menos úteis que uma pastilha elástica colada num banco
de jardim. Durante um ano fizeram barulho sem nunca apresentarem soluções e
foram constantemente notícia por estarem no centro de crimes, dos mais
hediondos aos mais insólitos. Mas o português não quer os seus problemas
resolvidos, quer alguém que dê voz às suas birras. Porque é que eu hei de
querer o rabo limpo se é tão mais giro chorar porque o tenho sujo? E, melhor
ainda, se puder pôr as culpas no gato da vizinha, que me assustou e me fez
borrar todo.
“Imigrantes que trabalham não têm com
que se preocupar” é uma frase muito bonita, mas que ignora um detalhe: o
popular comum que vê validados os seus ódios e que vai gritar “volta para a tua
terra” a qualquer um que tenha sotaque não português. Isto se não decidir partir
para a violência, já que agora se normaliza o ódio a qualquer um. Quem fala de
imigrantes fala de qualquer outra comunidade alvo de discriminação. Exceto os
pedófilos. Esses é melhor não falar deles, não vá algum deputado do Chega
sentir-se visado.
Eu agora só quero ver se
conseguimos ser tão cegos como os americanos. Se vamos continuar a defender o
indefensável e a pôr as culpas nos outros. Se vamos continuar a pedir para beber
água da sanita porque não gostamos de admitir que nos enganámos.