terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Parabéns a Você

Tenho para mim que o “Parabéns a você” é das maiores atrocidades no mundo da tradução portuguesa alguma vez praticadas.
A encabeçar a lista temos logo o nome. Mas esta merda foi concebida pela tia Concha cuja família vive há 4 gerações em Cascais? E nem venham com a arenga do “antigamente falava-se assim”, que antigamente “você” era afronta.
Dando continuidade a esta infausta obra, decidiram, ao contrário de grande parte das outras traduções, inovar. Em vez de se cingirem ao título repetido duas vezes, seguido de um verso com o nome do aniversariante e finalizar novamente com o título, acharam melhor criar uma versão estiolada e azeiteira que torna todo o ritual ainda mais desconfortável para quem canta e, pior, para quem está a ser celebrado.
No meio de todo este festival de merda, a escolha para substituir o “dear” foi “menino/a”. Assim sendo, estou a cantar os parabéns ao presidente da junta de freguesia de Carrazeda de Ansiães e chamo-lhe “menino”. Que cena cândida…
Para finalizar, deu-se, não só continuidade depois do clímax (que todos sabemos o quão desagradável pode ser), como ainda uma puta duma resposta por parte do aniversariante. E isto é só ter prazer na vergonha alheia. É consenso geral que aqueles 4 pífios versos de resposta são totalmente desnecessários e penosos para toda a gente presente na sala.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

O Inverno é um inferno

Ninguém me consegue convencer de que quem diz que prefere o inverno não é só para ser diferente. Já alguma vez enumeraram prós e contras?

Começando pela quantidade absurda de roupa que vestimos de maneira a não congelarmos todas as extremidades do corpo, parecemos o Bibendum. Isto leva-nos ao quanto custa vestir e despir toda essa roupa porque está um frio demoníaco e não apetece tirar o pijama nem que nos subornem. As contas de energia sobem a pique. É mais difícil sair da cama. É mais difícil entrar no banho. É mais difícil sair do banho. Em relação à comida, pessoalmente pareço um urso pré hibernação, sempre com fome. As mãos andam todas secas e, portanto, gretadas. As pilas andam todas encarquilhadas o que nos causa um desconforto, não só físico, como social (aconteça alguma situação de nudez pública inesperada e lá fica uma diminuta imagem a pairar nas mentes das potenciais observadoras). Os dias têm menos horas de luz e, como se não bastasse, o horário de inverno rouba-nos ainda mais horas úteis de luz. Exponenciando ainda mais a inconveniência da falta de luz solar, temos ainda de aturar os idiotas que supostamente gostam mais do inverno a dizer que o horário de inverno é muito bom porque sair de casa ainda de noite de manhã é chato. Então se sair de casa de manhã ainda de noite é chato é porque não gostas assim tanto do inverno! Porque essa merda FAZ PARTE do inverno! Tu gostas é de ser chato! Continuando: As toalhas de mãos estão sempre encharcadas. O pingo do nariz vai-nos presenteando com a sua aparição semana sim, semana não. Os dedos dos pés fazem-se notar através de misteriosas gretas nos espaços que os separam que, ao que parece, surgem por causa da humidade que fica dos banhos.

Portanto, é toda uma enxurrada de merda.

Tudo isto contra “começo a suar depois do banho e na rua o sol queima”…

Epá, ganhem tino que já são crescidos.