quinta-feira, 15 de março de 2018

A Universidade de Coimbra e a Democracia!


Olá, pessoal! Tudo bem? Ninguém quer saber!
Parece que a malta da Universidade de Coimbra decidiu acabar com a garraiada. Foi feito um referendo em que houve votação perante a pergunta “Deve o evento garraiada continuar no programa oficial da Queima das Fitas?”. Passo a informar-vos dos resultados: 70,7% “Não”; 26,7% “Sim”; 49 votos nulos e 96 votos em branco. Deixarei o link do Observador onde podem confirmar isto tudo. Assim podemos concluir que a garraiada terminou. Só que não. Os meninos da Universidade acham que são mais espertos que toda a gente e decidiram continuar com a tradição (“tradição”, a palavra mágica que sempre defende coisas que envolvem touros numa praça a serem objeto de diversão para os humanos). Também deixarei aqui o link e imagens da publicação feita pela página “Coimbra dos Estudantes” para poderem confirmar o que aqui escrevo.
Mas o que mais me fascina no meio disto tudo é a “justificação” que é dada perante a contestação desta decisão. É lindo.
Ora bem, de uma população de aproximadamente 24 000 estudantes, 5638 foram votar. Desses 5638, 70,7% votou contra a continuação da garraiada, 26,7% votou a favor. O que é que os meninos decidiram fazer? Eles afirmam que apenas 16% da população é contra a continuação da tradição e que impor a vontade desses 16% ao resto da população é, e passo a citar: “impor ideias de uma minoria a uma grande maioria.” “Mas afinal quem votou contra foram 70,7% ou 16%?” perguntam vocês, e bem. Pois é, estes 16% são em relação aos aproximadamente 24 000. É giro, não é? Eles agarram em aproximadamente 18 362 pessoas e dizem “Estas pessoas concordam connosco e querem que a garraiada continue!” É uma boa estratégia de democracia, não é? Eu nem consigo transcrever o quão atónito estou perante esta atitude. É que por mais que diga, parece sempre que falta veemência no que disse que devia dizer mais. Só mais uma vez, prometo! Eles usaram as hipotéticas opiniões dos que se abstiveram para sustentarem as suas próprias vontades e posições! Que bestas…!
E eu nem estou contra esta atitude para defender os touros. Na verdade, eu nem sei bem no que é que consta a garraiada porque nunca fui a nenhuma. O que eu quero aqui defender e apoiar em primeiro lugar é a democracia e a forma como deve ser exercida. Gente que está a representar a digníssima Universidade de Coimbra a manchar a democracia com comentários como “Dizes bem, somos uma academia da Liberdade, e é isso que defendemos, uma UC livre e diversa, com espaço para todos, onde cada um é livre de decidir os eventos que frequenta na academia, onde faz parte a garraiada. Liberdade, simplesmente. Nada mais antifascista do que isto.” a falar dum evento que perdeu o seu direito à existência por votação num referendo não me parece o melhor futuro para Portugal. Mas isso sou eu.



Aqui podem encontrar uma das notícias sobre a votação, aqui outra e aqui o post em que eles cagam no referendo e decidem ir com a garraiada para a frente à mesma... Leiam os comentários que aquilo é giro.

terça-feira, 6 de março de 2018

Chorar é bom e eu gosto de estar triste


Chorar é bom e eu gosto de estar triste. Por esta altura estarão alguns já a concluir “este é tonto… gosta que lhe aconteçam tragédias.” Obviamente que não é isso, meus gorgulhos de estrume. E se vocês não forem parvos dão-me uma oportunidade.
Claro que este texto não vou ser eu a ser poético ou profundo. Vou ser eu a queixar-me de coisas.
Para quem me conhece sabe que sou extremamente apologista e apreciador de humor negro, o que, por vezes, pode levar os que me rodeiam a pensar que sou insensível no que envolve esses assuntos. No que me toca tive duas grandes perdas na vida: o meu pai e um amigo. E mesmo assim sou capaz de fazer piadas sobre isso, o que não quer dizer que não me tenha custado e ainda custe a perda de duas pessoas importantes na minha vida. E, como tal, pontualmente, ainda tenho “quebras” no que toca ao assunto. Quando uma das pessoas é tema de conversa, quando surge uma fotografia, quando há um momento mais nostálgico e essas mariquices. Onde é que eu quero chegar com isto? Eu explico: Quando um desses momentos ocorre, a reação geral das pessoas é só uma: “Vá, não penses nisso. Não chores”. VÃO À MERDA! EU QUERO PENSAR NO ASSUNTO E CHORAR POR ISSO! Chorar sabe bem. Desanuviar um bocado. Descarregar! Ironicamente motivos semelhantes aos que me levam a fazer piadas sobre o tema.
Este é um dos casos em que meio termo não é bom. Se faço uma piada sobre uma morte sou insensível, tenho falta de bom senso, por aí fora. Se choro por causa da mesma morte “Não chores…”. Afinal em que é que ficamos? É melhor reprimir que aconteceu? Ou só é justificável falarmos no assunto em datas “especiais”? (Aniversário do defunto ou dia do ano em que morreu).
Portanto, aqui fica o conselho para quem o quiser acatar. Se alguma vez me apanharem a chorar por este motivo não me digam para parar de chorar ou pensar noutra coisa. Ou se mantêm calados, ou vão embora, ou choram comigo. Podem dar um abraço e fazer festinhas na cabeça, tipo gato. Mas só se forem gajas… Se forem homens basta uma palmadinha nas costas. Era só estranho ter um homem a fazer-me festas na cabeça…

segunda-feira, 5 de março de 2018

O Ego


O ego. Uma coisinha espetacular que se não existisse a vida era melhor. Se nós não tivéssemos a mania de alimentar o ego, era tudo tão mais bonito. Não havia gente a humilhar outros, não havia gente a atropelar socialmente os outros para terem um aumento de mil euros quando já recebem cinco mil, não havia ciúmes, não havia 90% das brigas que há e o Kim Jong-un não andava a medir pilinhas com o Donald Trump. Era tão bom. E também não tínhamos de andar a apaparicar pessoas sensíveis.

Treinador: Oh Chico, tu não preferes ir para a equipa de bordados? É que tu não tens jeito nenhum para isto! Nem na maldita bola acertas!

Correio da Manhã: TREINADOR DE FUTEBOL HUMILHA PUBLICAMENTE PRATICANTE MENOR PROVOCANDO-LHE TRAUMAS PSICOLÓGICOS QUE O MARCARÃO PARA A VIDA!!!!

Num mundo sem egos a reação do aluno seria simples:
- Obrigado, mister. Vou falar com o responsável pela equipa de bordados para saber se as minhas capacidades físicas são mais orientadas para essa bela arte do que são para o futebol.

E pronto. Ficava por ali e talvez o Chico até desse um excelente bordador!
E nas relações? As complicações seriam tão menos notadas!

- Raquel, hoje provei do almoço da Adelaide e estava mesmo bom!
- Adelaide? Mas era cozinhado por ela?
- Sim, sim. Ela tem mesmo jeito!
- Hm… Então, se calhar, começas a pedir à Adelaide para te fazer o almoço todos os dias… e já agora podes pedir-lhe também para te vir fazer o jantar… e aproveitas e ela que te lave a roupa também, meu porco dum cabrão!

E aqui se gerava uma briga porque a Raquel acha que pode ser a única boa cozinheira na vida do Chico. Sim o Chico dos bordados casou com a Raquel e trabalha com a Adelaide, algum problema? Bem me parecia.
Sem ego era muito melhor e mais produtivo!

- Raquel, hoje provei do almoço da Adelaide e estava mesmo bom!
- Foi? Então hás de lhe pedir a receita que, se quiseres, depois experimentamos a fazer aqui em casa. Não te prometo que fique tão bom como o dela, mas podemos tentar.

E era um descanso! Mas não. Andamos todos a cuidar do nosso ego como se fosse um menino de áfrica esfomeado e depois dá em presidentes de potências mundiais em picardia para verem quem é que tem o botão das armas nucleares maior e com maior acessibilidade para mandarem meio mundo pelo ar. Como é bela, a vida!