Certa vez, um jovem sábio (José Cartas), o qual eu nem sequer conheço, disse algo com o qual eu concordo plenamente: “eu sou imortal até prova em contrário” - your argument is invalid…
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Ressacas ftw…
Há uns dias, estava eu com uma bruta ressaca, quando me veio à cabeça a seguinte frase: “a adolescência é a arte de saber aproveitar a vida”… Passados alguns segundos apercebi-me do quão paneleira era a frase. Ao fim de outros tantos vomitei e apercebi-me que a adolescência é apenas uma fase de pura estupidez pela qual todo o ser humano passa durante a sua vida…
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Leopoldina vs Popota
Volta Leopoldina, estás perdoada…
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Shit my dad says
Não vai há muito tempo, comprei um livro que se intitula “Merdas que o meu pai diz” (traduzido do inglês “Shit my dad says”). Como podem ver é um título que chama a atenção de qualquer um que lhe passe o olhar por cima. Foi escrito por Justin Halpern e trata, como o nome indica, de todo o tipo de merdas que o pai do autor dizia. Posso arriscar a dizer que, até hoje, foi o mais atractivo livro que li.
Este livro apareceu porque o autor começou, por brincadeira, a pôr frases ditas pelo pai no Messenger, e um amigo dele, ao ver aquilo, o aconselhou a criar uma página no Twitter para registar todas as improváveis loucuras ditas pelo pai (Sam Halpern). Diz o autor que durante a primeira meia dúzia de dias teve apenas alguns seguidores, mas que em muito pouco tempo a fama do pai cresceu de tal modo que mais de trezentas mil pessoas seguiam a sua página sobre o seu pai. Começaram a aparecer jornalistas, produtores de televisão e agentes literários interessados nas histórias dele, e embora uma pessoa normal talvez considerasse isso uma coisa boa, aqui, isso não aconteceu. Justin descreveu o que sentiu nessa altura como puro pânico. Baseando-se no que conhecia do seu pai, imaginou que a ideia de estar exposto ao mundo não lhe agradaria nada (quando explica isto o autor dá um exemplo da opinião do pai em relação a um concurso televisivo). Resumindo um pouco a história, o Halpern júnior não podia estar mais enganado. Quando contou ao pai sobre a página que tinha criado, ficou espantado quando Sam Halpern se riu e praticamente ignorou o facto de milhares de pessoas saberem da sua rara maneira de ser.
O livro é composto por pequenas histórias sobre Sam Halpern, intervaladas por pequenos grupos de citações individuais do mesmo. Irei transcrever algumas dessas citações, espero que gostem.
Sobre ir à casa de banho
“Tens quatro anos. Tens de cagar na sanita. Esta não é uma daquelas negociações em que andamos para trás e para a frente até chegarmos a um meio-termo. Isto só pode acabar contigo a cagar na sanita.”
Sobre o primeiro dia no infantário
“Achaste difícil? Se o infantário te deixa de rastos, tenho más notícias para te dar sobre o resto da vida.”
Sobre bons modos à mesa
“Meu Deus, será que podemos jantar uma vez que seja sem que tu entornes qualquer coisa? (…) Não, Joni, ele fez de propósito, porque senão só pode ser atrasado mental e nenhum dos testes revelou que fosse.”
Sobre passar a noite em casa de um amigo pela primeira vez
“Vê lá se não mijas nas calças”
Sobre ser gozado
“Com que então, ele chamou-te maricas… Grande coisa. Não há nada de mal em ser-se homossexual. (…) Não, não estou a dizer que és homossexual, meu Deus. Agora já percebo porque é que esse miúdo queria chatear-te…”
Sobre desportivismo
“Jogaste muito bem, jogaste mesmo. Estou orgulhoso. Infelizmente, a tua equipa é uma merda. (…) Não, não podes zangar-te com as pessoas só porque são merdosas. A vida encarrega-se disso, não te preocupes.”
Sobre meter-se em apuros na escola
“Mas porque raio haverias de atirar uma bola à cara de alguém? (…) Ah. É uma razão bastante válida. Bem, não posso fazer muito a respeito de o teu professor estar chateado, mas entre nós está tudo bem.”
Deixo aqui os links de algumas das páginas do autor onde podem encontrar mais citações de Sam Halpern (caso alguém queira, posso transcrever mais algumas das citações transcritas no livro, basta pedirem):
http://www.facebook.com/ShitMyDadSays
http://twitter.com/#!/shitmydadsays
http://www.goodreads.com/author/show/3406353.Justin_Halpern/blog
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Eu sei que não mando nada, mas…
Eu não percebo nada de política e honestamente não é coisa que me desperte interesse, mas pelo pouco que sei é através dela que quase tudo funciona (bem ou mal) no nosso país. Hoje falo especialmente sobre escolas e o ministério da educação. Tanto quanto sei, para se construir uma escola, o ministério da educação tem que tomar conhecimento disso e aprovar o projecto e por aí fora. O que eu já não sei é se depois de construída a dita escola, o ministério toma conhecimento do seu “bom” funcionamento. E estou com este paleio todo porquê? Porque a escola que eu frequento é relativamente nova e toda cheia de paneleirisses, mas coisas que são relativamente importantes para o conforto dos alunos e professores, cagou… não há.
Quando entramos no recinto escolar somos praticamente obrigados a passar o cartãozinho (magnético) escolar, ainda não percebi bem porquê. Se não o fizermos vem um funcionário qualquer atrás de nós como se tivéssemos cometido uma grande infracção. Precisamos de tirar senha para ir ao bar como se estivéssemos num talho ou algo semelhante e em determinadas salas temos uma espécie de estantes onde devemos por as mochilas para não ocuparem espaço de trabalho. Isto são as paneleirices. Agora vem a outra parte. Como devem ter reparado, nos últimos dias, tem estado mais calor do que o normal nesta época do ano, e como tal, as salas que estão ao sol, principalmente durante a tarde, parecem saunas mistas. E porquê? Não faço ideia. Porque, para quem não sabe, as salas estão equipadas com ventiladores que, aquando ligados, tornam a temperatura da sala de aula bastante mais agradável, estimulando os alunos e professores a trabalharem com mais vontade. Eu sei que é uma comodidade que não é estritamente necessária e que antigamente não existiam estes luxos, e que, ainda hoje, existem estabelecimentos de ensino com muito piores condições que os nossos, mas o problema não é esse. O problema é nós termos os equipamentos e não podermos usufruir deles.
Vamos lá, senhores directores e restantes responsáveis pelas escolas. Liguem sistemas de regulamento de temperatura das salas de aula para que haja um melhor aproveitamento da parte dos alunos. Não custa assim tanto…
terça-feira, 30 de agosto de 2011
sábado, 20 de agosto de 2011
Existência
Estou de barriga para baixo. Sinto-me leve. Talvez a flutuar, sim, é isso. Estou dentro de água. Sinto-me bem. Não! Não estou bem, estou sem ar. Estou a sufocar. Procuro a superfície o mais rápido que consigo. Não a alcanço, por mais que nade não chego lá, não há superfície, apenas água, muita água e uma luz baça. É pavoroso, sinto-me a morrer. Não, volto a sentir-me confortável, o oxigénio chega-me outra vez à cabeça. Consigo respirar, debaixo de água. É um bem-estar estranho. Vejo uma pequena sombra a vaguear à minha volta. Essa sombra transforma-se numa luz. Ela afasta-se e tento segui-la. Ela foge para aquilo que me parece ser para baixo. Continuo a persegui-la e ela continua a fugir. A luz ambiente vai desaparecendo aos poucos. Mais uma sombra aparece a vaguear por perto, mas esta não se torna numa luz. Esta cresce e foge rapidamente. Outras aparecem. Muitas. A pequena luz desapareceu. Uma sensação horrível aparece. Medo. Muito medo. As sombras movimentam-se muito rápido. Está escuro. Não sei quando ficou escuro. Não dei por isso. Começo a sentir o corpo cada vez mais pesado e começa a ser difícil respirar. Não me consigo mexer. Fica calor. Um calor abafado, irritante. Apetece-me gritar. Gritar por ajuda. Tento faze-lo mas é como se me tivessem roubado as cordas vocais. Nenhum som me sai da garganta, nem mesmo ar. Tudo o que me envolve é apenas um nada infinito. Não! Há uma luz. Uma luz que me parece vir de cima. Está a aumentar. Cada vez é mais intensa. Torna-se demasiado forte para os meus olhos. Não vejo nada, estou encandeado. É tudo branco. Não consigo ver o meu próprio corpo. É como se fosse apenas uma consciência no meio de nenhures. A temperatura está agradável, não tenho calor nem frio. Nem tenho a certeza se existe temperatura. Apenas tenho a certeza de uma coisa: existência. É a única coisa que posso afirmar… Será um sonho? Terei morrido? Não me lembro de nada. Não tenho recordações seja do que for.
Não me lembro do meu início e não sei se terei um fim…
terça-feira, 16 de agosto de 2011
O Prazer é-nos Censurado pela Vida
A vida tem uma infinidade de experiências prazerosas para nos oferecer e cada um de nós tem as suas preferências. Mas independentemente daquilo que elejamos como favorito, todas essas experiências têm os seus contras. Posso enumerar vários exemplos: tudo o que normalmente preferimos comer nos faz mais mal do que aquilo que preferimos por de parte; quanto mais álcool tem uma bebida, mais gostamos do efeito que tem em nós e pior nos faz ao corpo; coisas como fumar são habitualmente intituladas de “porcaria” quando se fala delas a uma criança, podemos calcular porquê; droga, seja comida, injectada, fumada, snifada ou assimilada de qualquer outra maneira pelo nosso corpo, é tão prejudicial que é proibida na maioria dos países; apanhar sol nas horas de maior calor, para que a nossa pele fique de uma cor mais escura, provoca escaldões a curto prazo e cancro da pele a longo prazo; etc., etc., etc..
E quando finalmente encontramos algo que nos dá prazer, pode ser feito de uma maneira segura sem nos prejudicar a saúde, e determinados médicos até dizem que pode prolongar a vida de alguns doentes, o que é que acontece? A sociedade censura-o: sexo!
Qualquer ser humano que procure sexo sem qualquer interesse sentimental é considerado tarado sexual sem sentimentos, caso seja um homem, ou uma simples puta, caso seja uma mulher (ou uma bicha histérica se se tratar de um homossexual).
Conclusão disto tudo: a vida é injusta…
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Uma história para ler à noite
Após um longo serão de puro prazer em sua casa, o jovem Scott veste um casaco para ir levar a sua namorada, Emily, a casa. Eram aproximadamente três horas da manhã quando saíram de sua casa. Não se via ninguém na rua, à excepção de um carro ou outro que passava. Iam caminhando lentamente enquanto conversavam.
Finalmente chegaram a casa dela. Despediram-se com um beijo e ele observou-a a entrar em casa.
Feliz com a vida e consigo mesmo, Scott iniciou o caminho de regresso a casa. As ruas estavam silenciosas como era normal àquela hora, mas não deixava de ser um silêncio estranho… um silêncio morto. Scott sentia-se anormalmente desconfortável e assustado. Não havia qualquer sinal de vida.
Enquanto seguia caminho calhou a olhar para dentro de um carro e deparou-se com a coisa mais inesperada e macabra que podia imaginar: um cadáver ensanguentado e de olhos esbugalhados. Os olhos do defunto aparentavam estar direccionados para Scott que com o choque apenas conseguiu soltar um grito mudo e começar a correr. Nem teve tempo de tentar reconhecer o corpo. Corria desesperadamente pela rua. Esforçava-se ao máximo para não olhar para dentro dos carros, montras ou janelas, mas como acontece sempre, quanto mais tentava desviar o olhar mais olhava.
Passou rente a uma montra e teve o azar de ousar olhar para ela. Desta vez foi algo ainda pior: quando olhou apenas teve tempo de ver um segundo cadáver, desta vez parecia que tinha sido atirado contra o vidro da montra e deitava uma espuma amarela da boca. O susto foi tal que nem conseguiu segurar o grito e perdeu o equilíbrio, tendo que levar uma mão ao chão para não ir lá com a cabeça. Continuou a correr, mais assustado que um gato preso num canil cheio de cães. Corria o mais rápido que conseguia tentando não olhar para lado nenhum. Ia no passeio quando sentiu algo a bater-lhe nas costas. Gritando novamente afastou-se e viu o que o tinha atingido: um gato, também ele morto, com os olhos revirados e cauda cortada recentemente. Olhou para cima e viu a possível origem da queda do gato: uma janela do 3º andar, aberta com a cortina rasgada a esvoaçar de dentro da janela por efeito do vento. Já em puro pânico chegou à sua rua e novamente deixou os olhos escaparem para uma janela. Desta vez era a janela da casa à frente da sua, e uma vez mais lá estava, outro cadáver, a sua vizinha da frente, sra. Amanda, que conhecia desde que se lembrava de existir. O terror apoderou-se do seu corpo e a sua reacção foi correr para dentro de casa, fechar a porta o mais rápido possível, despir-se até ficar em boxers, enfiar-se na cama e pedir, a alguém “maior” que eventualmente o ouvisse, que tudo aquilo não passasse de um pesadelo.
ACORDOU. Sobressaltado, levantou-se rápido ainda na dúvida se tinha sido verdade ou apenas um sonho. Ao sair do quarto deparou-se com os pais. Um alívio, mesmo que tivesse sido real os seus pais tinham escapado. Foi tomar banho, vestiu-se, almoçou e saiu de casa. As janelas da casa da sra. Amanda estavam abertas tal como na tinha visto, mas não havia quaisquer vestígios de sangue. Ouviu a porta a abrir e sentiu um enorme peso sair-lhe de cima ao ver a sua vizinha sã e salva. Fora apenas um sonho, nada que o pudesse preocupar. Ia ter com Emily, portanto tomou o caminho habitual. Já completamente sossegado seguia caminho normalmente quando tropeçou em alguma coisa. Olhou para baixo para ver o que o tinha feito quase cair e o coração subiu-lhe à boca quando viu o que era. O gato do seu suposto sonho. Exactamente igual ao que se lembrava, com olhos revirados e cauda cortada, embora já tivesse o sangue seco. Olhou para cima e lá estava, a cortina rasgada a dançar ao sabor do vento… Para seu horror, vislumbrou ainda, atrás da cortina, um sorriso sádico e macabro esboçado por uma cara que conhecia tão bem: Emily…
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Pois…
http://alexonsager.net/pokemon/ <-- Eu juro que um dia destes faço um site igual a este mas para pessoas, de preferência de sexos opostos. Isto porquê? Porque certos casalinhos de namorados, quando se colam, nunca mais se separam. Parece que se tornam uma espécie de tumor um do outro… Quase se tornam uma pessoa só.
Então como é que irá funcionar? Quem quiser saber o resultado da junção de um casalinho só tem que arranjar uma foto de cada um dos tumores e por os seus nomes nas barras. Depois o próprio site irá dar as duas hipóteses mais adequadas para a junção dos nomes e irá misturar as fotos de maneira a dar algum monstrinho, assim pode ser que o dito casalinho veja que aquilo em que se está a tornar não é agradável de ver…
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Mitologia Grega
As pessoas, às vezes, ainda ficam admiradas por causa do que os gregos andam a fazer actualmente devido à crise política. Eu não me admiro muito. Já os antepassados deles também não eram completamente puros.
Quando ouvimos falar da mitologia grega normalmente associamos a grandes heróis, terríveis monstros e deuses poderosos que lutavam uns com os outros por razões nobres, ou não, mas fica mais ou menos por aí. Pelo menos era o que se passava comigo até me lembrar de ir pesquisar um pouco sobre isso, e heis um pouco do que descobri:
Zeus, normalmente considerado o mais poderoso dos deuses (conhecido por “deus dos deuses”), é apenas a divindade suprema da 3ª geração dos deuses da mitologia grega. O seu avô Urano (não muito importante para a história) foi castrado pelo filho Cronos (pai de Zeus) com um golpe de foice, tendo sido destronado… isto tudo porque a mãe de Cronos (Gaia) pediu. Como castigo, Urano profetizou que por sua vez, Cronos também seria destronado por um filho.
Cronos, como não devia ser nenhum engatatão, casou com a sua irmã Réia (que também não devia ser nenhuma brasa). Dela teve seis filhos, e como tinha medo deles, devido à profecia feita pelo pai, qual foi a atitude mais sensata que encontrou? Comer os filhos à medida que eles iam nascendo. Réia, como não achou muita piada à brincadeira do marido/irmão, pariu o último filho (Zeus) às escondidas dele, com a ajuda da mãe de Cronos, Gaia. E para disfarçar dá-lhe uma pedra que ele engole pensando ser o bebé.
Aquando adulto, Zeus decide vingar-se do pai. Pediu ajuda a uma tal de Métis que deu uma poção mágica a Cronos que o fez vomitar os filhos que tinha engolido até então. Estes foram vomitados pelo pai já adultos, ou seja, cresceram dentro do pai. Depois de vomitados juntaram-se a Zeus e derrotaram Cronos.
Quando já tudo era quase só paz e amor decidiram distribuir cargos: Zeus ficou com os céus e a Terra, Poseidon ficou com o mar, Hades, deixou-se enganar, e ficou com o mundo dos mortos, Héstia tornou-se a deusa dos laços familiares, Deméter ficou com a terra cultivada (Zeus deve ter achado que essa parte dava muito trabalho, então vá de dar à irmã) e por fim Hera ficou com os casamentos. Para variar um bocado houve outro casamento entre irmãos, Zeus e Hera, embora eu acredite que este tenha sido mais por conveniência, dado que Zeus passava os dias a ir visitar as meninas da terra e a fazer semideuses (coisa que desagradava a Hera, levando-a a tentar matar as ditas meninas e respectivos rebentos).
quinta-feira, 30 de junho de 2011
CONFUSÃO DE PARENTESCOS
Certo doido, internado
Num hospital da cidade
Contou-me qual foi a causa
Da sua anormalidade
Sua história verdadeira
Consternado me deixou
Eis aqui, exactamente
O que o louco me contou:
-Eu um dia me casei
Por azar da minha vida
Com uma viúva, que tinha
Uma filha já crescida.
Meu pai era viúvo
De minha enteada gostou
E ficou meu enteado
Quando com ela se casou.
Então minha enteada
É minha madrasta agora
Minha mulher, ao meu pai
Ela sogra, e também nora!...
Minha mulher e a filha
Para cúmulo do sarilho
Após tempo passado
Cada uma, teve um filho!...
Minha enteada e madrasta
O seu filho… com razão
Como é filho do meu pai
É também meu irmão!...
O filho de minha esposa
É neste caso, também
Irmão de minha madrasta
E seu neto… veja bem!…
Minha mulher, do filho é tia
De minha madrasta, sou cunhado
Meu pai, é tio do neto
Porque é meu enteado!...
O meu filho, é cunhado
Do meu pai… que confusão!
E o filho do meu pai
É meu neto… e meu irmão!...
Depois de tanto pensar
De como a coisa ficou
Eu cheguei à conclusão
Que até de mim… sou avô!...
Não pude mais suportar
Este caso complicado
Vim parar ao hospital
Completamente chalado.
E o louco terminou
A sua história, e contudo
Nunca deixei de pensar
No seu caso tão bicudo
Depois de ouvir a história
Eu cheguei à conclusão
Que por casos mais pequenos
Muitos perdem a razão!...
Não sei quem foi o autor deste poema, mas com certeza um génio ou um louco… ou os dois (afinal de contas a genialidade e a loucura não andam muito distantes uma da outra). Não é qualquer um que consegue, em rima, provar que podemos ser avôs de nós próprios.
O que é bom é p’ra se ver
Mulher jovem que mostrais
O teu corpo de flor,
Pensa se o mostrares demais,
Perdes p’ro homem o valor.
O que é bom é p’ra se ver,
Mas só enquanto apetece;
Todos ouvimos dizer
Que o que é demais aborrece.
João Rebocho Velez (1911-2002)
Pois é meninas, toca a ouvir a voz dos antigos.
Que muitas de vocês têm uns corpinhos bonitos, é verdade, mas se os mostrarem todo o santo dia, sem qualquer pudor, começam a perder o interesse e torna-se banal. Quanto mais reservadas forem (sem exageros, claro), mais curiosidade desperta no sexo masculino, e ao fim ao cabo, é isso que vocês pretendem quando se andam por aí a pavonear pelas ruas.
Deixando por agora as lições de moral de lado, este poema foi obra de um homem que além de que, caso fosse vivo, teria 100 anos, era analfabeto. Exactamente! O autor deste poema (e de tantos outros) não sabia ler nem escrever. Era a sua neta que escrevia os poemas por ele ditados.
Como já devem ter percebido, acabaram de receber uma lição de moral de um homem que nasceu há cem anos e não sabia ler nem escrever…
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Dislexia nos cantores portugueses
Já alguém notou que existem letras de canções portuguesas que não fazem sentido absolutamente nenhum? Algumas delas parecem que foram escritas por um estrangeiro que apenas possuía um dicionário português e um dicionário de rimas, também este português.
Por exemplo “Intervalo”, música interpretada pelos Per7ume juntamente com Rui Veloso. Uma música apreciada por muitos e que pessoalmente também não desgosto, mas se dermos atenção à sua letra reparamos que não tem sentido absolutamente nenhum.
Comecemos pelo início da dita letra:
“Vida em câmara lenta,
Oito ou oitenta,
Sinto que vou emergir,
Já sei de cor todas as canções de amor,
Para a conquista partir.”
Ora bem, “Vida em câmara lenta,” é como quem diz “não tenho nada de jeito para por aqui, logo vou inventar”.
“Oito ou oitenta,” – “não consegui arranjar nada de jeito para o primeiro verso, então agora tenho que inventar qualquer coisa que rime (seja lá o que for) ”
“Sinto que vou emergir, / Já sei de cor todas as canções de amor,” - “deixa lá ver no Google se arranjo umas frases feitas para por aqui pelo meio”
“Para a conquista partir” – “mais uma rima inventada à pressão…”
Passemos agora à estrofe seguinte:
“Diz que tenho sal,
Não me deixes mal,
Não me deixes”
Em relação a esta estrofe posso dizer que… Ok, sem comentários…
Vamos então à terceira estrofe:
“No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto onde eu não entrei,
Notícia do jornal
O quadro minimal
Sou eu”
Os três primeiros versos dão a entender que foram feitos com o objectivo de parecerem muito profundos, sendo que os dois primeiros estão apenas descontextualizados e o 3º só me faz imaginar o autor da letra isolado a um canto enquanto toda a gente tira uma foto de grupo. O quarto verso vem um bocado no embalo do “livro que o senhor não leu” e o quinto foi mais uma das ditas rimas feitas à pressão. O último verso é apenas uma demonstração de puro e acentuado egocentrismo.
Agora vem a minha estrofe favorita:
“Vida a média rés,
Levanta os pés
Não vás em futebóis, apesar
Do intervalo, que é quando eu falo,
Para não incomodar.”
Quando uma pessoa olha para esta estrofe com olhos de ver o que é que lhe é transmitido? Que existem dois indivíduos, um deles tenta andar para trás com os pés no ar enquanto vê futebol e que o outro só fala durante o intervalo do jogo para não incomodar o primeiro que está entretido a tentar andar às arrecuas com os pés no ar.
Por fim, todas as estrofes anteriores se repetem e é-lhes acrescentada uma pequena companheira lá no meio:
Não me deixes na
história que não terminou
Não me deixes
Parecendo que não, esta é a estrofe que faz mais sentido e mais se enquadra com tudo o resto da letra.
Outro bom exemplo que temos é a Música “Momento”, do artista Pedro Abrunhosa.
Vou transcrever apenas um pouco do início da letra, porque se não tinha aqui pano para mangas, e tenho mais que fazer:
“Uma espécie de céu
Um pedaço de mar
Uma mão que doeu
Um dia devagar
Um Domingo perfeito
Uma toalha no chão
Um caminho cansado
Um traço de avião
Uma sombra sozinha
Uma luz inquieta
Um desvio na rua
Uma voz de poeta…”
Pois é! Esta letra então é que é mesmo só para ver se rima, porque não precisamos de mudar de uns versos para os outros para isto não fazer sentido. O excelentíssimo senhor autor da letra deve ter-se limitado a definir que todos os versos iriam começar com um artigo indefinido singular, a tirar palavras ao calhas de um dicionário e a mistura-las todas de modo aleatório, e por fim a por os versos que rimavam de dois em dois….
Obviamente, como estes dois, existem muitos outros exemplos… Tanto portugueses como de qualquer outro idioma…