terça-feira, 20 de setembro de 2016

O REI FAZ ANOS HOJE!

O meu pai faria anos hoje. Seriam setenta e quatro. Dado isso, gostava de celebrar esse evento escrevendo uma pequena homenagem com setenta e quatro palavras. Uma coisa curta mas que desse para transmitir, de forma simples, o simbolismo dela mesma. Setenta e quatro palavras para celebrar os setenta e quatro anos que passaram desde o nascimento de uma pequena lenda. E cá está o pretendido: um pequeno texto de setenta e quatro palavras.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA: Eu a elogiar a Bófia!

Só pelo título já dá para perceber que algo de estranho se passou. Normalmente eu passo o tempo a criticar os desgraçados, mas não desta vez. Desta vez tenho uma palavrinha de apoio e agradecimento. Vamos saber porquê? Vamos pois!
Ontem, estava eu perto de Aveiro, na festa do S. Paio, quando decidimos ir para um bar com bom ambiente, na praia. Fomos, dançámos, bebemos, dançámos mais, empurrámo-nos uns aos outros ao chão, rimo-nos muito e foi muito giro. Até que eu, juntamente com dois amigos meus, decidimos ir até à beira mar despejar o que tínhamos estado a beber (pelo sítio certo, não foi vomitado). Lá fomos, e no meio de muita piada parva e gargalhada, quando me volto para trás sou agarrado no braço por um sujeito que eu não conhecia de lado nenhum. Deparado com tal situação, pensei “este está bêbado e está a meter-se connosco” ao que procedi a um “oh meu, larga-me” suave e amigável. Ao que a resposta do sujeito é “Tu, anda comigo” ao que respondo, ainda de forma calma, qualquer coisa como “mas vou contigo onde? Não vou nada, larga-me”. Vendo que ele continuava a insistir naquilo e agarrar-me cada vez com mais força comecei a perceber que de amigável aquele indivíduo não tinha nada. Apercebo-me entretanto que estavam mais 3 matarruanos com conversas parecidas dirigindo-se aos restantes elementos do meu grupo. Dado a falta de amabilidade dos jovens, comecei eu próprio com uma abordagem mais agressiva (tudo o que aqui está transcrito é uma aproximação da realidade visto que não me lembro das coisas com clareza) “Já te disse, larga-me. Não vou contigo a lado nenhum!”. Perante a minha reação agressiva (talvez inesperada, para eles), o rapaz soltou-me e o amigo tentou tomar conta da situação. E aqui é que vem a parte mais interessante da história: aponta-me uma pequenina pistola e manda-me ajoelhar. Apanhado de surpresa e, ainda por cima, com o raciocínio meio tolhido pelo álcool, o meu pensamento foi qualquer coisa como “mais depressa me dás um tiro do que me fazes ajoelhar”. Estúpido, eu sei, mas numa situação de pressão como esta uma pessoa nunca pensa nada de inteligente. E, dado tal pensamento, fiquei apenas a olhar para a pequena arma. Perante a minha “indiferença”, o jovem assaltante decidiu levar a ameaça para um nível ainda mais elevado: “deita-te no chão! Todos deitados no chão”. Querem tentar adivinhar a minha reação? Pois, continuei a olhar para a puta da pistola, a tentar perceber se era verdadeira e eu podia ficar com um buraco na testa a qualquer momento ou se era de água e eu podia ficar com a cara molhada a qualquer momento. O pequeno gatuno continuou sem saber como reagir à minha falta de reação. Decidiu optar por mais ameaças: “olha que eu disparo!” e foi após este momento, que uma qualquer pessoa com o raciocínio desimpedido teria percebido que aquilo era, de facto, um brinquedo: o anormal fingiu puxar a culatra da arma como quem a põe “mais pronta” para disparar. Obviamente que aquilo para mim não foi o suficiente para pensar “é falsa e tu vais sair daqui com ela enfiada no cu” e partir para a bofetada. Já farto daquele impasse do “faz isto – não faço” decidi perceber o que eles realmente queriam (lerdo): “mas o que é que vocês querem?!” ao que o gajo da pistola me responde “dinheiro” com um tom de voz forçadamente ameaçador. A minha reação a isto também não foi muito inteligente, mas tive sorte que eles, alem de serem nabos a assaltar, também eram nabos a pensar:

Eu: Não temos dinheiro (resposta de um engenho espetacular)
Assaltante da arma: De certeza?
Eu: Absoluta

E com esta conversa lá nos fomos afastando deles. Assim que nos aproximámos da festa, os nossos raciocínios em relação à arma aclararam-se e ficamos com vontade de vingança. Chamámos um 4º elemento do nosso grupo que tinha ficado na festa (para ficarmos equilibrados em número) e fomos atrás dos assaltantes chamando-os, como bons cidadãos civilizados que somos. Já bem longe de nós e numa zona mais luminosa (toda a cena anterior foi quase sem luz visto estarmos longe da festa), acharam que era boa ideia não voltarem para trás. Acabámos por desistir da nossa vendetta e voltámos para a festa. Para quem me conhece, sabe perfeitamente que eu voltei para a festa mas mais me apetecia ir atrás dos arruaceiros. E aqui, surgiu uma, estranhamente, boa ideia no seio do nosso grupo: vamos falar com as autoridades. Os primeiros a quem nos dirigimos foram os seguranças da festa que, de imediato, nos disseram que não podiam fazer nada e que tínhamos de recorrer às autoridades (nós pensávamos que eles eram as autoridades. Só depois de falarmos com eles é que percebemos que eram só seguranças). Agradecemos e fomos perguntar a uma rapariga que trabalhava no bar onde podíamos encontrar as autoridades. Ela indicou-nos o que pretendíamos e lá fomos nós procura-los. Pelo que me lembro da expressão facial do primeiro GNR a quem me dirigi aposto que o pensamento dele foi algo como “Lá vem o par de bêbados dizer merda…”. Pedi-lhe que baixasse o vidro da carrinha em que se encontrava e lá lhe expliquei a situação. Que tínhamos sido abordados por 4 jovens na praia, que tinham uma arma que achávamos ser falsa, mas ainda assim uma arma, e que eles podiam andar a fazer o mesmo a mais pessoas. Nisto, começo a ver GNR’s a aparecerem de trás dos dois ou três veículos que lá se encontravam como se fossem gatos assassinos a sair dos baldes do lixo de um beco. Dado não conseguirmos descrever bem os assaltantes, o agente que falou connosco pediu-nos para irmos para a zona onde os tínhamos visto a última vez e, caso os encontrássemos, um ficar na zona a controlar para onde eles iam, e o outro ir chamá-los (aos GNR’s) rapidamente (isto enquanto eles iam dar uma volta pela zona para o caso de os apanharem em flagrante). Assim fizemos. Poucos minutos depois de iniciarmos a procura encontramos um que me pareceu o primeiro que me agarrou na praia: boné, casaco com carapuço por cima do boné e cores de roupa semelhantes as do da praia. Eu fui chamar os agentes, enquanto o meu amigo ficou na zona a ver se eles ficavam por ali. Encontrei as autoridades, orientei-os para a zona onde estava o grupo de quem nós suspeitávamos e indiquei o sujeito que pensava (com 99.99% de certeza) ser o que me tinha agarrado na praia. Eu mal tive tempo de perceber o que estava a acontecer quando vejo um dos agentes a agarrar no badameco com um braço meio torcido atrás das costas e a levá-lo para uma parede onde o interrogaram. Naturalmente que sem certezas nossas, seria difícil apanhar os culpados, mas alguns foram interrogados enquanto um dos agentes conversava connosco na tentativa de conseguir alguma informação útil para a identificação dos assaltantes.
Como podem ver isto sou eu a elogiar o bom trabalho de GNR’s (forças de intervenção, se não me engano).

MAS!


Pode parecer mentira mas tenho mais a dizer: quero destacar a prontidão, eficácia, simpatia, compreensão e flexibilidade (no sentido figurativo. Era estúpido agora estar aqui a elogiar a boa espargata ou espetacular ponte que um dos agentes conseguia executar) que todos os agentes demonstraram perante a situação. Obviamente, tratando-se de um caso em que assaltantes andam armados (quer seja uma arma a sério ou uma imitação barata) a tentar sacar dinheiro às pessoas na festa, eles não podiam ficar indiferentes, mas a forma como trataram de todo o caso e como nos abordaram, tendo em conta a nossa falta de precisão na descrição dos sujeitos, foi deveras digno de destaque.

E convenhamos, seria um pouco hipócrita (não sei se será a palavra que melhor se aplica aqui, mas vocês vão perceber a ideia) passar o tempo a cascar nos senhores das autoridades quando os vejo a serem inúteis e não dar uma palavrinha de apreço quando os vejo a ser úteis e empenhados no seu trabalho de proteção do civil.

domingo, 4 de setembro de 2016

Um dia em Castro Laboreiro

Eu juro que estes posts todos seguidos não têm nada a ver com o facto de ter tido um com muito sucesso. Adiante.
Estou, de momento, com a minha namorada a passar o fim-de-semana em Castro Laboreiro. E tenho a dizer que vale bastante a pena (eu sei que isto está a parecer um texto chato e desinteressante mas eu não vos vou desiludir, acreditem). Hoje começámos o dia com Canyoning, atividade bastante emocionante e com vistas espetaculares. Almoçámos, eu um belo cachorro quente com pão rustico e ela um hambúrguer muito bem servido. Pela tarde fomos de forma autónoma (quero com isto dizer, sem qualquer tipo de guia ou acompanhante) ao Castelo de Castro Laboreiro, caminhada pelo meio da natureza, sem qualquer incómodo (dado ser uma zona sem pessoas), com vistas espetaculares, até ao castelo a, aproximadamente, 1025 metros de altitude (salvo erro) onde pudemos ver coisas deslumbrantes. À noite, decidimos ir visitar uma piscina natural com água quente, sobre a qual ouvimos um monitor da atividade matinal a falar com uma das participantes. Segundo o jovem, era algo que valeria mais a pena ser visitada à noite devido à elevada temperatura da água. Curiosos, lá fomos. Jantámos num restaurante perto da dita nascente e seguimos caminho para descobrir do que se tratava a mesma. Chegados ao local, vimos uma piscina com aproximadamente 15 metros de comprimento, algumas pessoas lá dentro e muito vapor a sair. Prepáramos as nossas coisinhas e lá fomos. Estava espetacular. Noite fresca, água quente (daquela em que custa a entrar mas depois também custa a sair), pouca luz, o que nos permitia ver as estrelas relativamente bem, dado ser ao ar livre, e, como não podia faltar, um par de irmãos, com idades perto dos 25, a ouvir quizomba e música eletrónica com uma coluna que permitia a toda a gente que estivesse num raio de 25 metros ouvir as suas escolhas musicais.

Estão a ver este parágrafo que acabei de fazer? Significa que a conversa vai mudar. Sabem como? Exato. Vou entrar na minha “praia” de escrita agora: a crítica. E normalmente não é construtiva.
O que é que passa pela cabeça de alguém que obriga quem o rodeia a ouvir o mesmo excremento musical que eles querem ouvir? Será que não pensam? Será que não lhes passa pela cabeça “há aqui pessoas que podem não gostar de ouvir isto e eu não estou no direito de as obrigar a tal”? E mais! Como já disse, fomos lá de noite.


UM DELES ESTAVA DE BONÉ! NINGUÉM VAI PARA UMA PISCINA DE ÁGUA QUENTE NATURAL À NOITE E BONÉ!


Eu podia ter acabado o dia da melhor forma. Um dia espetacular que foi e podia ter sido até ao fim. Mas não foi. Porque dois cagalhões com braços, pernas e uma coluna decidiram que era boa ideia imporem os seus gostos musicais a todos os que quisessem desfrutar da água quente da nascente.

Pronto, já desabafei. Mas continuo com vontade de matar toda a gente que obriga as pessoas à sua volta a ouvirem a sua música que, ainda por cima, é quase sempre horrível (para não dizer “sempre”).

sábado, 3 de setembro de 2016

Táxis, os bullies do asfalto

Olá olá olá! Tanto textinho em tão pouco tempinho! Já vão perceber.
Se não me engano, já por mais de uma vez que aqui desabafei sobre o meu ódio generalista em relação a taxistas. E o que aqui escrevo hoje é o cúmulo dessa revolta. Como a grande maioria das pessoas já sabe, os taxistas andam de birra por causa da Uber (não sabem o que é a Uber? Vão ver ao Google). Manifestações e coisas do género são já comuns por parte dos mesmos, mas agora estão a chegar ao limite da estupidez humana. Ora vejam:


Já não bastava andarem a chorar por causa da preferência do cliente para com a opção menos vigarista, agora também se tornaram agressivos para com os condutores da concorrência. Para quem tiver paciência para ler tudo o que a senhora escreveu, ou esperteza para passar as apresentações à frente, é provável que eu aqui repita algumas coisas, mas não se chateiem. Porque se se chatearem eu atiro-vos um pote de merda acima (não perceberam a referência? Deixem de ser remolgos e vão ver o link que pus lá em cima que passam a perceber).
Eu juro que nunca pensei que um povo “civilizado” conseguisse ser tão primitivo. Vou tentar mostrar o meu ponto de vista de uma forma mais prática para ser mais fácil de entender e, quiçá, mais divertido:

- Cliente: Boa tarde, que trajeto é que o senhor leva daqui (Lisboa) ao Algarve?
- Taxista: Ora boa tarde. Isso é muito simples: passamos pelo Porto, depois Minho, Coimbra, Ribatejo, Alentejo e pouco depois chegamos ao Algarve.
- Cliente: E mais ou menos quanto fica isso?
- Taxista: Não é muito. Deixe-me só fazer as contas: Taxa de rotação dos pneus, mais a taxa de emissões de CO2, mais o imposto de circulação por nacionais, mais 5€ por minuto, mais a taxa de lavagem das meias sujas dá qualquer coisa como o seu salário, mais a reforma dos seus avós e a pensão de viuvez da sua tia.
- Cliente: Ok, obrigado. Então eu vou só ver as minhas outras hipóteses e já venho.
- Taxista: Outras hipóteses? Só se for montado na mãe do Luís Filipe Vieira eheheheheh. Porque ela é uma égua, percebeu? Eheheheh. (eu sei que é uma coisa forçada, mas eu não tenho jeito para inventar piadas futebolísticas)

- Cliente: Boa tarde, que trajeto é que o senhor leva daqui (Lisboa) ao Algarve?
- Funcionário Uber: Boa tarde. Daqui ao Algarve é só passar o Alentejo e estamos lá. Mas ainda é um esticãozinho.
- Cliente: E quanto é que isso fica, mais ou menos?
- Funcionário Uber: Se formos pela auto-estrada são 100€, se formos pela nacional são 80€.
- Cliente: Ok, então eu venho já.
- Funcionário Uber: Com certeza.

- Cliente: Olá outra vez, senhor taxista. Venho só avisá-lo que vou antes usar os serviços da Uber.
- Taxista: O QUÊ? ESSES GATUNOS? QUE TRABALHAM DE FORMA ILEGAR E DESONESTA? COM JOGO SUJO PARA COM OS TAXISTAS SEM QUALQUER TIPO DE FAIRPLAY? O SENHOR DEVE ESTAR A BRINCAR COMIGO!
- Cliente: Não, mas fica mais barato e demoro menos tempo. É só por isso…
- Taxista: VAMOS VER ENTÃO SE DEMORA MENOS TEMPO COM UM CONDUTOR COM A CABEÇA ABERTA AO MEIO! *saca de um taco de basebol da mala do carro e vai direito ao funcionário Uber*

Agora seria a parte em que eu diria que estou a exagerar. O problema é que o único exagero nesta história é o trajeto que o cliente queria percorrer de táxi/uber.

Eu sei que vocês já apanharam a ideia, mas eu vou fazer ainda outra metáfora:

- Táxi: Mãe, posso comer duas pizzas?
- Mãe: Não, só uma. A mãe só tem dinheiro para duas e o teu irmão mais novo também precisa de comer.
- Táxi: *espeta faca na testa do pequeno irmão, Uber* Mas eu sou filho único.


Agora provavelmente ficaram mais confusos e perturbados. Se este for o caso, ignorem esta última parte. Se não, acho que conseguem realmente compreender a minha revolta neste tema.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Um macaco, uma avestruz e uma espingarda

Ontem, durante uma pacífica viagem de carro, ouvi a seguinte notícia na rádio: "Trump afirma que realmente tenciona construir o muro na fronteira com o México. Afirma ainda que serão os mexicanos a pagar a construção do muro." Ora bem, eu não sei se esta última parte é verdade visto que passaram gravações do homem a dizer que realmente era para construir o muro mas nada de serem os Mexicanos a pagá-lo. Mas, para bem deste texto, vamos assumir que tudo é verdade.
Meninos e meninas, estão a ver porque é que nunca se deve dar uma espingarda a um macaco? É que ele até pode vir a aprender a manobrar a arma, mas nunca vai aprender para onde é que a deve apontar. E este é o caso do Trump. Ele sabe que se vier a ser presidente vai ter poder para fazer coisas, mas não sabe que coisas é que deve fazer para melhorar o país. Mas o que me preocupa mais, não é o macaco que quer a espingarda. É a quantidade de anormais que querem dar a espingarda ao macaco. Eu sei que a outra grande hipótese é dar a espingarda a uma avestruz, mas de certeza que com tempo, paciência e bom senso conseguiam arranjar uma terceira alternativa que não pusesse a 3ª guerra mundial tão próxima da realidade.
Uma coisa que eu não percebo nesta situação em concreto é que o mundo inteiro parece perceber que pôr o Trump à frente de uma das maiores potências mundiais é estúpido, exceto os norte-americanos. Ou pelo menos a maior parte deles. Ou seja, os únicos que têm poder para não dar a espingarda ao macaco, são também os únicos que acham boa ideia dar a espingarda ao macaco.

Vá lá, gente. Esta história do muro já aconteceu uma vez e, bem ou mal, todos sabemos que deu merda. Porque é que agora há-de correr bem? Eu sei que não devemos desistir das coisas à primeira, mas se dar um tiro no pé esquerdo doeu e não serviu de nada, ir dar um tiro no direito não vai ser melhor. 

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Programas da Manhã! Uma bomba de excremento cerebral!

Querem ver uma coisa bué gira? Eu, que odeio política e políticos de um modo geral, a defender um político em relação aos cães da SIC. E para verem o quão empenhado estou nisto, estou a escrever sobre o tema, apenas 2 ou 3 horas após o acontecimento e alguns minutos após ter tido conhecimento do mesmo.
Pois é. O Senhor Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Sor foi ao programa Queridas Manhãs, na SIC, apresentado pela, já tão bem afamada, Júlia Pinheiro e pelo João Paulo Rodrigues. Nesta “entrevista” pudemos também contar com a excelente participação do Dr. Hernâni Carvalho. Acho que nem vale a pena dizer o motivo de tal “entrevista”. Ok, é melhor prevenir possíveis leitores que vivam debaixo de uma pedra ou com capacidade dedutiva reduzida: Foi por causa do caso dos dois meninos iraquianos terem espancado o menino de Ponte de Sor.
Do pouco que conhecia, eu até tinha uma boa impressão do senhor Hernâni, mas depois de hoje, o único frequentador assíduo daquele programa de quem continuo com boa impressão é o João Paulo Rodrigues e foi porque ele não abriu a boca durante a entrevista toda.
Ora vamos estudar bem esta entrevista. Para começar, uma das primeiras questões que a senhora Júlia coloca é: “O Sr. Presidente da Câmara fez muita questão de estar connosco aqui para nos ajudar a entender o que é que se passa na sua cidade, onde acontecem estas coisas, às três/quatro da manhã. Quer-nos explicar?” Isto tudo, dito com uma cara de cabra do liceu que só visto é que é credível. E para quem é mais bom-de-coração e gosta de não ver más intenções nas pessoas, ela mais à frente reforça a ideia mesmo como quem diz “Eu estou mesmo a ser cabra, não foi só impressão”. E faz isso da seguinte forma: “Eu esperava que nos viesse dizer como é que estas coisas acontecem na sua cidade.” Ora bem, ela não está a falar com o Batman. Senhora Júlia, a função de um presidente da câmara não é andar à noite pelas ruas a defender os fracos enquanto grita aos vilões: “Em nome do município, declaro-te inimigo da sociedade!”.
Mas há mais. Claro que há mais, estamos a falar de um programa da manhã. Nem podia ser de outra forma. Durante o pouco tempo de antena que o Presidente de Ponte de Sor consegue falar sem grandes interrupções, a Júlia pergunta-lhe o que é que tem sido feito para prevenir o tipo de situações em questão, ao que o Presidente responde com a nova força de segurança em ação na nossa cidade: GNR’s de bicicleta. E como é que a Júlia reage a isto? “Neste caso com os iraquianos ia ser complicado, eles andavam de carro…”. Portanto… Eu não sei se a senhora acha que está a apresentar um programa de comédia tipo roast (em que o objetivo é unicamente enxovalhar o convidado) ou se tem um atraso mental que devia ser estudado por veterinários de alta patente.
Eventualmente, durante a conversa, o Hernâni começa a meter-se suavemente, mas em pouco tempo transforma essa suavidade em “ATÉ TE CHUPO O TUTANO DOS OSSOS!”. E quem ouve isto, inocentemente tal como eu, pensa que o Sr. Hernâni deu uma real sova de moral e informação económica ao nosso presidente mas, após assistirem ao “debate” em questão, percebem que o Hernâni é só um perito na arte do bom “não deixar falar” (arte essa que, como todos sabem, a Júlia Pinheiro é a campeã).
Mas, no meio de toda aquela selva de comentários, o que mais me deu vontade de trocar de lugar com o Presidente e enfiar um par de lambadas a cada um dos dois (Júlia e Hernâni) enquanto soava o “Eye of the tiger” de fundo, foi o seguinte:

Presidente: (algures pelo meio de demasiada gente a falar por cima uns dos outros): só fui vice-presidente.

Eventualmente, depois de muito lixo falado, acontece isto perto do minuto 22:00:

Hernâni: Então acha que eu falei da câmara de Ponte de Sor?
Presidente: Falou.
Hernâni: Tenho mais que fazer.
Presidente: Quer que eu lhe leia?
Hernâni: Quero.
Presidente: Então eu vou ler: “Ponte de Sor tem um ar completamente diferente do de Tires…”
Hernâni (interrompendo): E então? É proibido dizer isso?

Vamos lá Dr. Hernâni. Pediu ao homem para ler aquilo que o Dr. disse e, antes de ser acabada de ler a primeira frase, já está a interromper? Mas que manipulação barata da conversa é essa? E quando é que o Presidente disse que o senhor tinha dito alguma coisa proibida? O que ele disse não foi que o senhor tinha falado do município de Ponte de Sor? Bem, continuemos então para eu chegar ao ponto fulcral da questão que nem sequer é este.

Júlia: Deixe lá o Sr. Presidente acabar de falar com os seus munícipes. (acho eu que foi o que ela disse, visto que, para variar, está uma confusão de vozes que mais parece um debate futebolístico)
Presidente: Eu não vim aqui para falar com os meus munícipes. Vim aqui para esclarecer…
Hernâni: (Adivinhem o que aconteceu aqui! Acertaram! Ele interrompeu-o novamente) Ah pois não… Então vinha aqui dizer que tinha rebentado 35% do orçamento no aeródromo?

*muita conversa palha pelo meio que não me apetece transcrever por isso vão ver ao link que eu mandei e não me chateiem*

Presidente: O senhor sabe que a SIC em 2010 entregou um prémio como autarquia do ano à Câmara Municipal de Ponte de Sor? A nível social?
Hernâni: Sim, e então?
Presidente: “E então?” o senhor não sabe! A dizer que só gasto dinheiro no aeródromo… Como é que uma autarquia com uma dimensão tão restrita, naquilo que é a sua atividade e o seu orçamento, consegue ser a autarquia do ano em serviço social.
Hernâni: (ao mesmo tempo que o Presidente dizia o que transcrevi imediatamente acima) É verdade, em 2010. O senhor está cá em 2016. O que é que o senhor tem a ver com isso?
Presidente: O que é que eu tenho a ver com isso?! O Senhor não disse que eu era vice-presidente da câmara?
Hernâni: Então foi ou não foi?! *mesmo como quem diz: “já te apanhei”*

E aqui podemos ver a cara do Sr. Presidente com todo um choque que, traduzindo o que ele realmente sentiu naquele momento no seu íntimo, deve ter sido qualquer coisa como “Foda-se, mas este gajo tá bêbado ou também foi atropelado por iraquianos antes de vir para aqui?”

Presidente: “Fui ou não fui?!”
Hernâni: Isto apanha-se mais depressa um distraído do que um coxo (aqui tenho que gabar a agilidade de palavras do Hernâni para não chamar mentiroso ao Presidente descaradamente).


E assim terminam a entrevista, sem nada ter sido esclarecido como deve ser porque a ideia da apresentadora e do comentador nunca foi esclarecer as coisas, mas sim enxovalhar um político porque ele próprio se propôs a ir lá (pelo que eu percebi) e porque enxovalhar políticos dá audiências, porque fica sempre bem escarrar mais uma vez em alguém que já tem a fama de ser uma grande parte do excremento da sociedade. Atenção que não estou a defender os políticos de um modo geral, mas há que ter dois dedos de testa e ver quando é que uma pessoa tem motivos para ser criticada e quando é que não tem sequer qualquer tipo de relação com os problemas que acontecem.

domingo, 14 de agosto de 2016

Pokémon Go 2

Estava a pensar em algo para escrever e apetecia-me reclamar com alguma coisa (não me perguntem porquê que não sei), mas não me lembrava de nada e o que mais me tem irritado ultimamente são, de facto, os haters do Pokémon Go. Eu sei que já escrevi sobre isso, mas escrevi de forma defensiva. Hoje estou mesmo com vontade de escrever de forma ofensiva. E o mais certo é isto dar merda.
Vou tentar pegar nos argumentos mais usados para criticar o jogo e explicar-vos porque é que são absurdos.
Então cá vamos.

“Que sentido é que isto faz? Sempre agarrados aos telemóveis pelas ruas que nem veem nada à frente?” Só ao escrever isto é que me apercebi do quão imbecil este argumento é. A sério, hoje em dia, que as redes sociais dominam tudo e mais alguma coisa, ainda há gente que diz que foi o Pokémon Go que provocou isso?
Este tema ainda leva a um ponto mais avançado que é o facto de haver pessoas que realmente não veem por onde andam e chegam mesmo a ter acidentes graves devido a isso. Minha gente, isso não é provocado pelo jogo, é provocado pela estupidez humana. Ainda há uns tempos (um/dois anos) apareceu nas notícias que uma ou duas crianças (não me recordo) ficaram órfãs de ambos os pais porque estes caíram de uma falésia a tirar uma fotografia. E nessa altura ninguém disse “olha esta moda parva agora de andar a tirar fotografias!”, pois não? E como este exemplo há muitos. Mas eu já vou explorar mais a estupidez humana noutras áreas.

“Isto é mesmo uma loucura, até já houve violência e mesmo assassinatos por causa do jogo.” Têm toda a razão neste aspeto, mas agora respondam-me a uma pergunta simples: onde é que isso é novidade? Em que mundo é que vocês vivem para estranharem haver violência por causa de coisas mesquinhas? Eu vou só escrever uma palavrinha aqui e vocês depois refletem sobre isso: futebol. Apanharam a ideia? Não? Pensem um bocadinho e se não perceberem a associação venham falar comigo que eu explico (dica: lembram-se da cena da estupidez humana? Tentem associar aqui…)

“Este jogo é um perigo. As pessoas vão para sítios isolados à procura dos Pokémons e depois são assaltadas ou até mesmo raptadas e violadas.” Também têm razão aqui, mas se formos por aí, passear o cão também é perigoso. Porque, sejamos sinceros, ninguém vai deliberadamente para um sítio isolado só para apanhar Pokémons, visto que o jogo não indica direções, apenas diz se os há por perto. Um jogador só vai para determinado sítio se tiver por hábito ir lá. Esta questão envolve ainda a possibilidade de haver quem tente ludibriar crianças através do jogo. Mas vão culpar o jogo por isso? Já pensaram que se isso acontecer pode ser por falta de cuidado dos pais? Não? Então quem é que não se lembra da velha história da carrinha branca que diz “temos doces”? Aí a culpa também era dos doces? “Olha filho, cuidado que os doces fazem cáries nos dentes, lombrigas no estômago e alargam-te o olhinho do cu! E com jeitinho também te vendem os órgãos no mercado negro…” Não faz muito sentido pois não? Foi o que eu pensei.

“E as figuras que os jogadores fazem? Parecem uns tontinhos à procura de coisas fictícias! E o pior é que há mais adultos a fazer isso do que crianças!” Mas toda a gente gosta de ver um bom filme, e até são capazes de chorar se puxar ao sentimento, certo? Mas porquê? É fictício. E sabem o que é que também é ridículo e há muitos homens e mulheres adultos a fazer? Andar de calça folclórica justa a enfiar farpas num touro. E aí é tudo ridículo, desde a vestimenta até ao facto de ficarem felizes porque enganaram e torturaram um animal por pura diversão. Eu sei que aqui estou a atacar um grupo em específico e que há sempre os que são contra as touradas que também acham parvo andar a apanhar Pokémons, mas pelo menos os Pokémons são virtuais. Não sentem qualquer tipo de dor, medo ou frustração.

“Isto é tudo um negócio. Ganha quem fez isto e ganha o resto da malta esperta que se aproveita disto para enganar o Zé-povinho e fazer mais dinheiro.” Sabem o que é que também é um negócio onde as pessoas se aproveitam para extorquir dinheiro aos menos astutos? Fátima. Não, não é o programa das manhãs (“a Fátima já não apresenta nenhum programa da manhã!” nas nalgas, ninguém quer saber), é mesmo a cidade de Fátima onde se usa a crença e ingenuidade das pessoas para se fazer dinheiro de toda a forma e feitio. Por amor de Deus, até santas que brilham no escuro! Essa merda é para quê? Para condizer com os néons do carro do filho azeiteiro que anda a fazer corridas de carros ilegais?
“Já estás a misturar duas coisas que não têm ligação e a desrespeitar as crenças dos outros” (eu tento sempre prever qual é o contra argumento do possível leitor que não concorde comigo, caso não tenham já percebido). Primeiro, não estou. Estou a pôr em causa o oportunismo do ser humano para se aproveitar do próximo. E segundo… Não, há segundo, respondi às duas coisas só com o primeiro ponto. Sou tão prático! E bonito! Ok, já estou a avacalhar…


E por agora, são os que me lembro. Se me lembrar de mais, eu digo, não se preocupem.

sábado, 13 de agosto de 2016

São Marcos da Serra no seu melhor

Ontem à noite fomos à festa da terrinha da avó. À chegada ao recinto da mesma encontramos um "porteiro" e um papelinho que indicava "Homens 3€ / Mulheres 2€"ao que a minha mãe pergunta para o ar "Porque é que as mulheres pagam menos?". Ao ouvir isto o dito "porteiro" intervém prontamente e segue-se a seguinte conversa:


Porteiro: Não pagam, não! Pagam 2€!
Eu: Então, mas os homens pagam 3...
Porteiro: Sim...
Eu: Então as mulheres pagam menos...
Porteiro: Sim...
Eu: Pronto
Porteiro: :)


Passado isto seguimos para o recinto onde íamos jantar. Iniciamos a refeição e, já mesmo no fim da mesma, deixei cair um pedacinho de pão com molho de frango em cima dos calções que tinham sido comprados nessa mesma tarde. Entrei em euforia. Mal me conseguia controlar. Mas a aventura não fica por aqui.
Durante o jantar fomos servidos por um senhor que certamente bebia um golezito de cada imperial que tirava. Como tal, para o fim da noite, ao servir a penúltima rodada de imperiais decidiu desabafar um pouco sobre a sua atribulada vida. E foi algo parecido com:
"Se eu vos contar uma coisa, vocês não acreditam. A minha profissão é muito complicada. Hoje foi um dia muito complicado. Esta semana foi muito complicada (eu aqui já quase adivinhava que o mês dele tinha sido muito complicado, mas enganei-me).Às sete da manhã já tinha a camisa toda molhada. Às oito cheguei a casa. Ao meio dia almocei. Às oito já aqui estava. A vida de distribuição é muito complicada."
Ora bem... Não é que eu não acredite no que o homem disse. Não percebi foi ponta de corno. Lado positivo: pagou-nos a última rodada da noite. Já não foi mau.

domingo, 31 de julho de 2016

Santa Privacidade

Uma grande questão que assola a humanidade é o que é que nos acontece depois de morrermos: reencarnação, céu e inferno, se ficamos na terra a assolar os vivos, vazio total, etc..
Uma coisa que todos nós gostamos de dizer em situações importantes das vidas de quem nos rodeia quando essa pessoa tem um ou mais entes queridos falecidos é “esteja onde estiver ele/a está contigo/está a observar-te e está muito orgulhoso/a”. Coerentemente, se dizemos isto aos outros, é porque acreditamos que o mesmo se passa connosco e os nossos entes queridos já falecidos. Agora peço-vos que pensem um pouco: se quando fazemos algo de importante nas nossas vidas eles nos estão a observar, será que não estarão também durante o resto do tempo? Será que apenas escolhem ver os momentos gloriosos e não dão uma espreitadela quando estamos a dançar ou cantar sozinhos à frente do espelho com uma escova do cabelo a fazer de microfone? E quem diz os nossos familiares e amigos que já morreram, diz os nossos inimigos que já morreram. Imaginem aquela pessoa, que até não gostavam muito, a observar-vos enquanto estão a praguejar e vermelhos que nem tomates porque o cocó está muito duro e não quer sair. Ou até mesmo quando estiverem a dar a brelaitada das vossas vidas e parecerem babuínos tresloucados a gritar todo o vosso deleite cá para fora. Aposto que se alguma vez acreditaram que os vossos familiares e amigos vos estão a observar, nunca mais vão fazer nada privado completamente à vontade, depois de verem as coisas desta forma.
“Mas mesmo que assim seja, nós estamos vivos e eles estão mortos. Não há interação entre nós e eles, por isso nem sequer há com que nos preocuparmos”. Primeiro: se tiverem um stalker que vos anda a espiar também não há interação e é absolutamente perturbador; segundo: e quando vocês morrerem? Como é que vai ser encarar as caras conhecidas sabendo que eles vos viram a fazer tudo e mais alguma coisa enquanto eram vivos?
Das duas uma: Ou no “outro mundo” já toda a gente é extremamente mais avançada e mente aberta às coisas estranhas uns dos outros, ou quando lá chegarem (sim, vocês homens que se vestem de mulher e vocês mulheres que saltam em tronco nu à frente do espelho para verem as gémeas a saltitar) vão ser o motivo da chacota lá da zona. E olhem que já morreu mesmo muita gente, portanto vai ser MESMO humilhante…

Isto sou só eu a ser amigo e a avisar-vos para essa pequena hipótese de desfecho final da vida humana como a conhecemos. Agora cada um faça como quiser. Depois não digam que ninguém vos avisou.

domingo, 24 de julho de 2016

Pokémon Go!

Pokémon Go! E agora, aqueles que não me conhecem assim tão bem estão na dúvida: Será que ele vai dizer mal? Será que vai apoiar? Sou bué misterioso, eu. Mas é mesmo só para os que não me conhecem bem, porque os que conhecem sabem perfeitamente que já tenho aquilo instalado no telemóvel e ando feito tonto pela rua a ver de bichinhos virtuais. Bichinhos virtuais esses que tantas manhãs me entretiveram, a mim e a tantos outros milhares de crianças que agora têm mais de 20 anos e andam por aí a fazer a mesma figura que eu.
Um jogo com estas dimensões já seria de esperar que causasse grande polémica. Muitas críticas e muitos julgamentos da parte de quem não se identifica com o jogo e, claro, muita gente a defender a qualidade e vantagens do jogo. Então vamos lá analisar as coisas e dizer o que já toda a gente disse: Dantes, os pais queixavam-se “estás sempre enfiado em casa a jogar computador/consola já nem te deves lembrar de que cor é o céu”, agora queixam-se “ando por aí na rua é só tontinhos com os telemóveis na mão à procura daqueles bonecos virtuais”. Vamos a analisar isto como deve ser e há aqui uma certa falta de coerência. E agora alguém diz “Então e porque é que não deixam de jogar jogos virtuais de uma vez? Assim as pessoas já não se queixavam!”, mentira. As pessoas arranjam sempre maneira de se queixarem. Mas, pondo as queixas de parte, os jogos virtuais estão a ganhar cada vez mais poder como forma de entretenimento e já há gente a ganhar milhares (se não milhões) por jogar em grandes competições dos mesmos. “Então se é assim porque é que vocês não vão também para essas grandes competições?” da mesma maneira que por eu ir jogar à bola com uns amigos ali para o ringue da vila não me dá aptidão para ir jogar pelo Benfica ou pelo Sporting. E já estou a sair completamente do contexto pretendido, mas esta temática dá-me vontade de bater em pessoas e, para não bater em pessoas, escrevo sobre o assunto para ver se me acalmo.
Voltando ao assunto Pokémon Go. Falando das vantagens do jogo, opiniões à parte: Sabem aquele jovem que realmente está sempre em casa, normalmente no computador, e nunca sai, mas porque não tem qualquer interesse no mundo exterior? De um modo geral essas pessoas têm um reduzido número de amigos e todos se encaixam na descrição acima relatada. Este jogo está a puxar essas pessoas para fora de casa. Está a fazer com que crominhos do PC e os brutamontes do desporto (falando nos estereótipos extremos) tenham um assunto em comum para usarem como tema de conversa e, quem sabe, a partir daí descobrirem mais interesses partilhados que até agora não tinham como descobrir. Esta parte é apenas em termos de socialização. Agora vamos para a saúde física. Estão a ver os tais jovens sempre em casa, etc. etc., tirando os que têm a sorte de ter uma boa genética (e mesmo esses) já pensaram em como aqueles corpinhos devem estar enferrujados e cheios de porcaria lá dentro? Este jogo obriga os interessados a saírem de casa e andar se quiserem alguma coisa feita. “Mas para os que têm a carta ou amigos com carta acabam por não fazer nada”, dirão os leigos na matéria. O jogo tem objetivos que apenas podem ser cumpridos com baixas velocidades, ou seja, se forem de carro o jogo manda-os ir levar na anilha que já têm idade.
Além de tudo isto, ainda há um fator cultural. O jogo usa pontos (normalmente) turísticos (monumentos, edifícios municipais e outros locais considerados importantes) como Pokéstops que são sítios ondem se podem ganhar itens para um bom aproveitamento do jogo.

É claro que também sei reconhecer as desvantagens do jogo, pelo menos as maiores: é que, como em tudo, há extremismos e certos “treinadores” de Pokémons esquecem-se de ver por onde andam (causando acidentes a si próprios e aos que os rodeiam) e, pior que isso, os que partem para a violência sem qualquer necessidade disso. Neste último caso já sou da opinião de lhe carimbarem a ferros quentes na testa “POKÉSTÚPIDO”. Assim as pessoas já sabiam o que esperar de tais pessoas.

terça-feira, 3 de maio de 2016

SMTUC parte 3 - Outra aventura no 7T


Estão a ver quando planeiam fazer uma coisa mas vão adiando porque para fazer essa coisa é preciso fazer uma outra coisa que vocês pensam sempre “faço depois”? Pronto. Este texto é o exemplo perfeito. O que eu vou aqui relatar passou-se, provavelmente, há uns 4 ou 5 meses (sim, “provavelmente” e não “aproximadamente” porque não faço ideia de há quanto tempo foi. Só sei que foi o semestre passado). E porque é que não o relatei mais cedo no blog? Porque para isso era necessário passar uma fotografia do telemóvel para o computador (já vão ver qual) e até hoje nunca me dei a esse trabalho. Razão válida, não é? Claro que é.

Passemos então ao que interessa.
O acontecimento teve lugar no autocarro que costumava apanhar para ir para a escola. Como lambão e antissocial que sou, sempre que podia, sentava-me no lugar mais à frente do autocarro visto ser um lugar sem parceiro do lado. Devido a estar próximo da entrada do autocarro, por diversas vezes que presenciei situações caricatas, mas a que vos vou contar chamou-me a atenção em particular.
Vou então partilhar a tal fotografia que tanto me fez adiar este relato:


Os objetos marcados pelos círculos vermelhos são, como devem calcular, os sensores para quem entra no autocarro “picar” o passe. Qualquer pessoa com uma qualidade de visão superior ao de uma orelha consegue perceber que, se há sítio para passar o passe, é ali. Ou pelo menos era o que eu pensava até este dia.
(Esta história está a ser bem mais difícil de contar do que eu estava à espera. Como estou há demasiado tempo a tentar arranjar palavras para contar isto de forma, no mínimo, apelativa e estou a falhar redondamente, vou simplesmente enumerar os acontecimentos por ordem cronológica.) Autocarro para numa paragem; grupo de pessoas entra; um senhor destaca-se; com a confiança de quem já faz isto há anos, esse senhor passa o pequeno cartão pelo sensor; bem… quase. Ora vejam onde o senhor passou o cartão.


Fiquei com dúvidas. Das duas uma: ou o senhor era meio patego, ou arranjou uma bela forma de andar de autocarro à borla. O que é certo é que ele entrou sem pagar e eu fui, provavelmente, a única pessoa a reparar nisso.


P.S.: Acabei de me aperceber que, indo ao telemóvel ver as informações da foto, talvez possa saber exatamente o dia em que isto tudo aconteceu. Mas lá está… Não me apetece.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Bofetada, mortos e casacos foleiros

Um dos assuntos do momento é o lutador português que morreu após perder o combate por KO técnico. E até ficava mal eu não vir mandar o meu bitaite. E sobre o que é o meu bitaite? Sobre o acontecimento em si e quais os possíveis motivos da morte do lutador? Não. Sobre os bitaites da comunicação social. “Lá vai ele malhar no correio da manhã!” Como diria o Ricardo Araujo Pereira “Mesmo nas nalgas”. Pois é. O Correio da Manhã volta a atacar. Mas desta vez não vem sozinho. Desta vez tem a ajuda da, igualmente bem conceituada, TVI. Os dois, lado a lado, a dar biqueiradas na realidade como se ela tivesse acabado de violar as suas mães.
Então vamos primeiro ter a certeza que sabem do que estamos a falar: aqui podem encontrar o vídeo do combate em questão. Não é um vídeo longo portanto vejam lá.
Vídeo visto e podemos passar ao passo seguinte. Notícia do Correio da Manhã. Eu sei que não dá para ler, pelo menos as pessoas com bom senso que não são assinantes do mesmo. Mas também não é preciso. Eles mandam uma patada mesmo nos genitais da realidade só no título: “Árbitro deixa matar português”. Bumba com toda a força em letras grandes. Se o arbitro podia ter parado o combate meio segundo mais cedo? Podia, mas não o ter feito não foi nenhuma atrocidade profissional. Quem estiver interessado, que faça uma pesquisa de vídeos de UFC (maior campeonato de MMA do mundo) no youtube e que verifique por si mesmo que há árbitros de renome a deixar esticar bem mais a corda e, como não há mortes, ninguém os critica.
Pronto, o Correio da Manhã já está tratado, agora vamos à TVI. Ora vejam o vídeo onde a TVI fez o seu belo papel. Obra prima, não é?
“Na Tailândia têm jogos de Muay Thai, têm jogos que são tradicionais, são ancestrais, são artes marciais ancestrais onde eles praticam golpes violentíssimos mas onde praticamente quase simulam o golpe…”





Ai sim? Pois… e sintam-se livres para procurar mais uns quantos vídeos que hão-de encontrar pérolas ainda melhores. Na minha opinião era pôr este senhor a treinar Muay Thai na Tailândia durante uns mesinhos e ver se no fim ele continuava a dizer o mesmo. Ou se dizia alguma coisa de todo.

“Oooooooooooh wrestling. Que é americano. Aquilo parece que é tudo verdade mas no fundo é tudo combinado, não é?” Não, minha marrã desmamada, não é. Aquilo de que a senhora Cristina estava a falar era, provavelmente, WWE, que é sigla para world wrestling entertainment. Porque wrestling (o verdadeiro wrestling) tem tanto de combinado como os casacos do Goucha têm com a moda atual. Portanto, isto não é para mostrar que a opinião deles sobre a morte do atleta está errada (dado que a mesma nem sequer é revelada no vídeo). Isto é para mostrar que eles percebem tanto do assunto como o estilista do Goucha percebe de moda (desculpem, esta já foi um pouco forçada. Não volta a acontecer).

E pronto, já desabafei sobre a ignorância dos portugueses no que toca a MMA e outras artes marciais. Mas há que vender, não é? Por isso vale tudo. Até arrancar olhos.


(P.S.: Já ouvi uns zum zuns sobre terem comparado MMA com touradas. Se isso se revelar verdade, vão voltar a ouvir falar de mim brevemente)

sexta-feira, 18 de março de 2016

É com certeza uma casa portuguesa!

Não tenho palavras para descrever o nosso tão belo país. Para quem não conhece já a história, prometo que vos vou por a rir com isto. E nem me vou esforçar. Ora vejam o vídeo: vídeo!

Dá ou não dá para rir? Claro que dá. Realmente aquilo não se faz nem a um animal, pois claro que não. Mas nunca nenhum animal foi, de certeza, a casa de ninguém com uma caçadeira e encapuzado a dizer “isto é um assalto”. Mas a melhor parte nem é o assaltante processar as vítimas. A melhor parte é “a magistrada do ministério público pediu uma pena exemplar” para as vítimas do assalto.

Quer dizer, vai um assaltante honesto trabalhar para ganhar a vida e fazem-lhe uma barbaridade destas? O pobre coitado ficou 20 dias sem poder assaltar ninguém. Não há condições de trabalho neste nosso Portugal. E se fosse comigo nem me ficava por ali. Podia aquilo ter sido um assalto pacífico sem tiros, e fizeram o pobre homem gastar, pelo menos, duas munições da caçadeira? Se fosse eu ainda pedia ao tribunal que os obrigasse a comprarem-me um pack de munições para aprenderem a não perturbar o trabalho dos outros.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Salas de gás e selfie sticks enfiados no reto - um castigo à altura

Não há nada que me dê inspiração para escrever como a estupidez humana. É impressionante. Até vocês vão estranhar dois textos com tão pouco tempo de intervalo.
O que me apoquenta desta vez excede os limites da burrice tolerável ao ser humano:
Um golfinho bebé morre porque as pessoas na praia o apanharam e decidiram tirar selfies com ele.
Este ato está quase ao nível de estupidez de agarrar nuns quantos milhões de judeus e enfiar com eles em salas de gás para lhes acabar com a raça. Este acontecimento realça o grande problema da humanidade: Não pensar.
Vamos analisar esta situação e tentar visualizar como seria se as pessoas pensassem: As pessoas viram um golfinho bebé e apanharam-no. Tudo bem, tão fofinho. MAS: “oh, tão fofo, um golfinho. Os golfinhos vivem na água. Se vivem na água por alguma razão deve ser. Se calhar precisam de água para alguma coisa. A melhor atitude é, certamente, devolvê-lo ao seu habitat natural.” E aqui se propagava uma boa ideia pela multidão. Mas não. Todo o santo idiota que estava próximo do golfinho naquela praia achou boa ideia manter o animal fora de água durante tempo excessivo para lhe tirar fotografias.


Depois disto começo a achar que a tal ideia das camaras de gás não é assim tão mal pensada. Pelo menos em certas pessoas…

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Touradas - Evento que ocorre quando se junta um grande grupo de retardados numa praça.

Olá, olá. Há tanto tempo que não falávamos. Uns exclamarão “Yey! Mais um texto de excelente qualidade humorística e escrita!”, enquanto outros dirão “Lá vem o revoltado outra vez reclamar com alguma coisa…”. Estes últimos estão absolutamente corretos. E o que foi desta vez? Passo a explicar. Na passada segunda-feira, dia 12 de fevereiro, o humorista Nuno Markl partilhou o seguinte vídeo


com a seguinte descrição:
“Um grupo de pessoas decidiu fazer um protesto pacífico contra touradas sentando-se numa arena. É admirável - mesmo que algo doloroso de ver - como eles se mantêm firmes e coerentes no seu protesto pacífico. Mesmo quando espectadores desatam a agredi-los à pancada, ou com jactos de água ou, no caso de um velho tarado, arrancando a roupa a uma das manifestantes. Isto é tê-los no sítio e bem grandes.
"Estavam a pedi-las", dirão alguns. Não. Sendo ainda a tourada um espectáculo legal, os responsáveis da praça poderiam simplesmente ter chamado a polícia. A ira com que elementos do público atacam este grupo e continuam a atacar, mesmo não obtendo resposta na mesma moeda no grupo de protestantes (e talvez por não a obterem) é reveladora da agressividade que pulsa neste universo, seja para com animais, seja para com humanos.”

Convido-vos a ver o vídeo do princípio ao fim. Eu espero… Já viram? Não? Vá que eu tenho mais que fazer! Já está? Pronto. Como podemos ver, não são só as “tradições” dos apoiantes da tauromaquia que são primitivas. Toda a sua forma de agir perante algo que os incomoda é, no mínimo, retardada (retardada num sentido 4 ou 5 mil anos “retardada”).
Eu admiro profundamente a atitude e vontade destes manifestantes. E juro que gostava de ter a calma que eles têm.
Se realmente viram todo o vídeo, podem reparar em duas personagens especialmente notórias: um homem, ainda novo, que faz tudo para provocar (dá pontapés, chapadas nas cabeças dos manifestantes, murros e chega mesmo a levantar a guarda pronto para uma luta) e um velho que puxa a roupa de uma das manifestantes (o qual o Nuno Markl também refere na sua descrição), deixando a mulher apenas com o soutien, o qual também acaba por roubar. Estes dois ganharam o meu ódio em especial.
Vamos tentar perceber o que se passou naquelas duas cabecinhas podres. Comecemos pelo provocador. Ele viu um grupo enorme de gente que impediu o seu tão bonito espetáculo de acontecer e o que é que ele pensou? “Epá, se calhar já tirávamos estes gajos daqui. E qual é a melhor maneira de o fazer? Já sei! À biqueirada! Sou um génio.” Algo me diz que este campeão das costas quentes só fez o que fez por estar rodeado de “companheiros”.
Agora o tarado. Começamos da mesma forma: viu um grupo de gente a impedir o espetáculo e pensou “Olha que boa oportunidade para soltar a minha veia de ofensor sexual! No meio desta confusão toda ninguém vai dar por nada.” Pois.
Agora o meu castigo pessoal para estes dois (também pode ser aplicado aos restantes admiradores da “arte”, mas em especial para estes dois):

Local de castigo: praça de touros. Obviamente. Método: eram lançados para o centro da arena com as mãos atadas (isto para não ser tão perigoso. Ainda podiam aleijar alguém com as mãos livres), e juntamente com cada um deles eram postos 3 homens (ou mulheres) em específico: um jogador de basebol com o seu respetivo taco, um golfista (e uma vez mais o seu respetivo taco) e um campeão de tae kwon do com botas de biqueira de aço. Cada um destes 3 desportistas tinha uma parte do corpo do “animal” como alvo: golfista – do joelho para baixo. Qualquer parte dessa zona. Mas com força. Basebolista – tronco e membros superiores. Com força mas sem causar danos fatais. Campeão de tae kwon do – zona genital. No cu também conta. E era isto durante uma horinha. Ou mais, se a besta ainda se conseguisse queixar ao fim desse tempo. 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Castração devia ser pré-requisito para toureiros

“Rivera toureou com a filha ao colo” é o tema que anda a revoltar muita gente. Seja porque acham que o gajo é uma besta, seja porque acham que se deve continuar a “tradição”. Ora bem. A minha opinião, provavelmente, vai contra as opiniões da maioria das pessoas. Mas eu vou expor o meu ponto de vista e talvez nos entendamos. Portanto, toda a gente conhece o Tony Hawk, certo? Se não conhecem, têm bom remédio: vão pesquisar ao Google. E o que é que este senhor é para aqui chamado? O skater (pronto, eu digo: o Tony Hawk é skater) foi com a filha andar de skate e chegou a fazer algumas manobras com a criança que partilhava o skate com ele e estava segura pelos braços (para mais pormenores voltem a ir ao Google). É certo que a filha deste último é um pouco mais velha que a do toureiro, mas ainda assim, foi um ato alvo de muita controvérsia. E afinal quando é que eu dou a minha opinião? É agora. Eu não censuro a atitude do skater. Quando lhe foi posto em causa a sua responsabilidade como pai, ele respondeu algo como “a minha filha está mais segura a andar de skate comigo do que os vossos filhos ao vosso colo enquanto vocês andam na rua” e é bem capaz de ser verdade. Como tal, se não censuro esta atitude, também não vou censurar a do toureiro por ser um ato perigoso. É certo que não sei o nível de habilidade do homem, mas para se sujeitar a tal coisa, tinha de haver um certo grau de auto confiança por parte do neandert… quero dizer, do toureiro. O que eu acho estúpido no que aquela besta fez, foi por uma criança tão próxima de um touro com uma ferida aberta nas costas, a deitar sangue que nem uma elefanta menstruada (já estou a exagerar) e, provavelmente, depois de uma demonstração de cavaleiros a ferir o animal, à qual a criança também deve ter assistido.

Agora vamos fazer um jogo! Alguém consegue adivinhar qual o motivo invocado (esforcei-me bastante para não lhe chamar ‘desculpa’) perante tal atitude? Vou dar-vos uma pista: quem leu o início do texto com atenção já deve ter descoberto, visto que eu escrevi lá qual era. E aposto que os outros também já descobriram. Afinal de contas o grande argumento dos toureiros e semelhantes espécies pré-históricas é sempre o mesmo:

É TRADIÇÃO


pois com certeza! Nem estaríamos a falar dos famosos homens vestidos com calças de licra cor-de-rosa bem justinhas se esse tão poderoso argumento não fosse conjurado.