quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

A língua portuguesa está bem entregue

Eu amo a língua portuguesa e acho-a muito pouco explorada tendo em conta o seu potencial. Admito que poderia ser mais assíduo no consumo de conteúdos como hip-hop ou simplesmente poesia. Mas ainda assim penso que pudesse ser feito mais variado trabalho no que toca a aproveitar a nossa maravilhosa língua.

Por outro lado, há toda uma população a fazer maravilhas no que toca a desconchavar a este belo idioma. E neste desabafo falo de um particular caso que vi ser desenvolvido de forma cuidadosa para se fazer a maior figura de estúpido possível.

 

Com os telemóveis e chats online cresceu a cultura das abreviaturas. Encurtar palavras para economizar tempo e não só. Posto isto, quando queremos encurtar a expressão “se faz favor”, usamos a sigla “SFF” que abrevia a sentença pegando nas primeiras letras de cada palavra da mesma. Mas esta abreviatura tem toda uma influência sob uma sua prima que tem o mesmo significado. Quantos de nós não vimos já a expressão “por favor” abreviada para “PFF”? Isto deve significar “por fafor”, calculo eu. Entretanto já muitos se aperceberam da palermice e começaram a corrigir para “PF” ou, usando mesmo as consoantes mais marcantes das palavras, “PFV”. Uma evolução natural e satisfatória. Afinal não somos assim tão limitados.

Mas o que aqui me traz hoje é toda uma quimera destas que vos falei acima. Não é comum, é certo, mas já vi: “SFV”.

Ora, eu gosto de acreditar que isto queira dizer “se faz vafor”, trocando as duas primeiras consoantes uma com a outra. Mas também é legítimo o “se faz vavor”. Não sei qual das duas será, mas acho fascinante a volta que a língua consegue dar nas mãos de labregos.


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