Quando vejo aquelas publicações “Não autorizo a meta a usar os meus dados blá blá blá. Copia e cola isto no teu mural para protegeres os teus dados” percebo como é que o populismo cresceu da forma como cresceu em Portugal.
E isto podia ser só uma piada
sobre gente burra, não fosse haver uma ligação direta que remove o fator
“piada”. Na era da informação e desinformação, uma grande parte da população
não sabe distinguir o trigo do joio. Não têm capacidade interpretativa e não
têm o mínimo critério na escolha das suas fontes de informação. As publicações
de “copia e cola isto no teu mural” já existem há anos com vários formatos (“o
Facebook vai passar a ser pago”, “as suas fotos serão propriedade do Facebook”,
etc.), mas recentemente foi efetivamente noticiado que os nossos dados nas
redes sociais iam começar a ser usados para melhorar a Inteligência Artificial.
E nessa mesma notícia vinham instruções claras sobre o que fazer para impedir
isso. Ora, as pessoas continuam a preferir acreditar no que um labrego no
Facebook diz do que no que vem nas notícias. Preferem escolher a opção fácil e
“óbvia” (copiar e colar um texto para que todos vejam) do que a que dá um
bocadinho mais de trabalho e não mostra a ninguém o informados que estamos (ir
às definições procurar o sítio onde dá para remover as autorizações não
desejadas). E isto reflete-se nos votos. Preferem acreditar no histérico que
grita aos sete ventos os ódios que eles partilham do que na informação que os
vários canais transmitem diariamente. Mesmo que esse histérico já tenha dito
dezenas de mentiras descaradas, mesmo que esse histérico se contradiga
regularmente, mesmo que esse histérico tenha historial de não cumprir a sua
palavra, mesmo que esse histérico diga coisas completamente fora do aceitável
vindo de alguém com tanta responsabilidade no nosso país. O que interessa é que
ele meta as culpas em alguém que seja fácil de odiar. É dito por aí que a
melhor forma de se criar uma amizade é ambos terem ódios em comum, e isto só
reforça essa teoria.
É mais cómodo concordar com uma
mentira que nos favorece do que com uma verdade que nos prejudica.
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